Um colega fica envergonhado diante da turma e os outros riem-se. Um aluno novo passa o intervalo sozinho. Um amigo diz que se sente só, mas não quer falar muito sobre isso. Em qualquer uma destas situações, um adolescente pode sentir que devia fazer alguma coisa sem saber bem o quê. A empatia não significa reagir sempre da mesma maneira.
Por vezes, faz sentido defender alguém em público. Noutras situações, é melhor falar com a pessoa em privado, dar-lhe espaço ou perguntar primeiro de que precisa. Uma competência social importante não é apenas reparar no desconforto dos outros, mas também perceber qual é a forma de apoio mais adequada.
Começar por distinguir desconforto de perigo
Nem todas as situações desagradáveis têm a mesma gravidade. O silêncio de um aluno novo pode significar apenas que precisa de algum tempo para se adaptar. Humilhações repetidas ou ameaças são situações diferentes.
Antes de reagir, pode ajudar fazer três perguntas:
- A pessoa está apenas embaraçada ou parece estar sob pressão?
- Foi uma situação isolada ou está a repetir-se?
- O problema pode agravar-se se ninguém intervier?
Quanto maior for a pressão, o desequilíbrio de poder ou o risco de a pessoa continuar a ser magoada, menos adequado será limitar-se a um gesto discreto de apoio.
Por vezes, um gesto discreto ajuda mais do que uma grande reação
Se alguém se engana ou diz algo embaraçoso diante da turma, um «deixem-no em paz» dito em voz alta pode travar as gargalhadas, mas também atrair ainda mais atenção para a pessoa. Pode ser mais sensível mudar de assunto, continuar a conversa com naturalidade ou falar com ela mais tarde.
O apoio discreto pode consistir em:
- continuar a conversa normalmente, sem prolongar o embaraço;
- sentar-se ao lado da pessoa, se ela tiver ficado de fora do grupo;
- fazer-lhe uma pergunta em privado, como «Estás bem?»;
- convidá-la para uma atividade, sem que o convite pareça motivado por pena.
O essencial é não aumentar a situação que se procura tornar menos difícil.
Defender alguém em público quando o grupo exerce pressão
Quando um grupo goza com alguém ou o ignora de propósito, o silêncio dos que assistem pode parecer uma forma de concordância. Nesses casos, uma reação pública pode ser mais importante do que quando alguém está apenas embaraçado.
Não é preciso criar um confronto dramático. Um adolescente pode dizer, por exemplo:
- «Isto já não tem piada.»
- «Vamos falar de outra coisa.»
- «Deixem-no acabar de falar.»
- «Ele também faz parte do grupo. Vamos perguntar-lhe o que pensa.»
Uma frase curta pode mudar a atitude do grupo, porque mostra que nem toda a gente concorda com a humilhação ou a exclusão.
Com um colega novo ou calado, não convém insistir
Integrar alguém no grupo não significa obrigá-lo a falar ou a participar diante dos outros. Um convite direto pode ajudar algumas pessoas; outras preferem ter tempo e a possibilidade de se juntarem mais tarde.
| Situação | Reação adequada |
|---|---|
| Um aluno novo observa o que se passa e parece tranquilo | Cumprimentá-lo e convidá-lo a juntar-se ao grupo |
| Alguém é ignorado dentro do grupo | Criar uma oportunidade concreta para essa pessoa se expressar |
| Alguém não quer falar | Respeitar a recusa e deixar aberta a possibilidade de conversar mais tarde |
| Alguém está a ser excluído de propósito | Assinalar o problema e, se necessário, envolver um adulto |
Neste caso, a empatia também passa por respeitar o ritmo da outra pessoa. Convidar não é pressionar.
Se um amigo não quer falar, não o interrogue
Se um amigo parece triste, mas não quer explicar porquê, a curiosidade natural pode levar a muitas perguntas. Ainda assim, insistir, mesmo com boas intenções, pode ser desagradável.
Pode ser mais útil dizer: «Não tens de me contar. Se quiseres, estou aqui.» Assim, o adolescente mostra que se importa e deixa a outra pessoa decidir o que quer partilhar.
Se a situação parecer mais séria, também pode perguntar de forma direta: «Queres que fique contigo ou queres tentar resolver alguma coisa?» Dessa forma, o apoio parte das necessidades da pessoa, não de suposições.
Nem todas as emoções precisam de uma solução imediata
Quando alguém diz que se sente só, a primeira reação pode ser «vai ter com outras pessoas» ou «inscreve-te num clube». Uma sugestão prática pode ser útil, mas, se surgir demasiado depressa, pode impedir que a pessoa explique o que sente.
Antes de dar conselhos, pode ajudar seguir esta ordem:
- Ouvir: perceber o que a pessoa está realmente a descrever.
- Confirmar que compreendeu: «Percebo bem? Sentes-te de fora mesmo quando estás com outras pessoas?»
- Perceber do que precisa: quer apenas conversar ou procura uma solução?
- Só depois sugerir um passo: se a pessoa estiver interessada.
Esta sequência ajuda a evitar que se tente resolver um problema antes de o compreender.
Num conflito, ter empatia não significa ser neutral
Quando duas pessoas discutem, alguém com empatia não tem de ficar automaticamente no meio e procurar um compromisso a qualquer custo. Por vezes, uma das partes tem melhores argumentos ou está a ultrapassar os limites da outra.
Num conflito, ter empatia significa sobretudo conseguir ouvir diferentes perspetivas sem considerar automaticamente que todas são igualmente aceitáveis.
Um adolescente pode agir assim:
- Perceber primeiro qual é o problema: identificar o verdadeiro motivo do desacordo.
- Distinguir a opinião do comportamento: discordar é aceitável; humilhar, não.
- Procurar uma solução: um compromisso, uma votação ou um critério claro, conforme a situação.
Ser amigo não significa encobrir tudo o que corre mal
Se um amigo faz algo errado, a empatia pode levar alguém a tentar protegê-lo de todas as consequências. Mas apoiar não tem de significar encobrir o que aconteceu.
Pode dizer: «Percebo que tenhas medo de admitir. Vamos pensar numa maneira de corrigir isto.» Assim, continua ao lado do amigo enquanto pessoa, sem ter de apoiar a decisão que tomou.
Discordar não obriga a convencer a outra pessoa
Quando alguém conhecido tem uma opinião diferente sobre um assunto importante, a inteligência social não se mede por quem ganha a discussão. É útil perceber se vale a pena continuar a conversa e qual é o seu objetivo.
O adolescente pode perguntar a si próprio: quero compreender, explicar o meu ponto de vista ou convencer a outra pessoa? São objetivos diferentes.
Se quiser compreender, será mais útil fazer perguntas. Se quiser explicar a sua opinião, precisará de apresentar razões claras. Se a outra pessoa estiver apenas a atacar ou a ridicularizar, pode ser sensato terminar a conversa.
Quando o apoio entre colegas já não é suficiente
Há situações que um adolescente não deve tentar resolver sozinho. Se houver ameaças, humilhações repetidas, violência física, pressão ou medo intenso, é aconselhável envolver um adulto de confiança.
O mesmo se aplica quando um amigo dá a entender que está em perigo ou não consegue lidar com a situação em segurança. O adolescente não tem de ser a única pessoa responsável por carregar o problema.
Pedir ajuda a um adulto não é falhar na empatia. Pode ser a forma mais responsável de apoiar alguém.
Um guia simples para decidir se deve intervir
Quando não tem a certeza do que fazer, o adolescente pode seguir cinco passos:
- Reparar no que está a acontecer: identificar o que vê ou ouve, sem presumir os motivos.
- Avaliar a gravidade: trata-se de embaraço, exclusão, conflito ou possível agressão?
- Escolher o tipo de intervenção: apoio discreto, uma pergunta direta, defesa em público ou ajuda de um adulto.
- Respeitar a outra pessoa: evitar uma forma de ajudar que a exponha ou envergonhe ainda mais.
- Verificar o resultado: a reação ajudou ou é preciso dar outro passo?
Assim, a empatia deixa de ser apenas a sensação de que «devia fazer alguma coisa» e transforma-se numa competência social concreta. Não se trata de intervir em todas as situações, mas de escolher uma reação adequada à situação, às necessidades da outra pessoa e ao nível de risco.