Depois de um dia exigente, diz a si mesmo que precisa de descansar. Abre as redes sociais, põe uma série ou deita-se, mas, meia hora depois, não se sente muito melhor. Noutras ocasiões, uma caminhada curta, uma conversa com alguém próximo ou alguns minutos em silêncio ajudam. A diferença pode não estar em uma atividade ser melhor do que outra em geral. O importante é perceber do que precisa naquele momento.
Uma pausa breve pode contribuir para o bem-estar quando corresponde à necessidade do momento. Às vezes, o problema é uma mente sobrecarregada; noutras, tensão no corpo, isolamento social, fome ou sede. Se recorre sempre à mesma forma de descanso, pode não atender à causa do mal-estar e apenas trocar de atividade sem recuperar verdadeiramente.
Comece por perceber de que está cansado
A palavra «cansaço» pode descrever estados muito diferentes. Não precisa de os diagnosticar nem de encontrar uma designação técnica exata. Para decidir o que fazer no dia a dia, basta reparar em qual é a parte mais sobrecarregada neste momento.
| O que sente | Do que pode precisar | O que pode experimentar primeiro |
|---|---|---|
| Tem dificuldade em concentrar-se e salta de um pensamento para outro | Distanciamento mental | Silêncio, uma caminhada curta ou uma tarefa simples sem estímulos adicionais |
| Sente tensão ou inquietação no corpo | Movimento ou descontração física | Uma caminhada, alongamentos ligeiros ou mudar de posição |
| Sente necessidade de repassar tudo mentalmente | Processar o que aconteceu | Escrever algumas linhas, conversar ou identificar o problema com calma |
| Sente-se desligado das outras pessoas | Contacto | Uma conversa breve com alguém com quem não precisa de se esforçar |
| Está irritável e já passou muito tempo sem comer ou beber | Cuidados básicos | Água, comida e algum tempo sem novas tarefas |
Não encare a tabela como uma regra fixa. A mesma sensação pode ter causas diferentes consoante a pessoa. Use-a como um apoio para fazer uma pausa e refletir antes de ligar automaticamente mais conteúdos ou de se obrigar a continuar a trabalhar.
Quando a mente está cansada, evite acrescentar mais conteúdo
Depois de um dia cheio de notícias, decisões, videochamadas e textos, pode ser tentador «desligar» com mais conteúdos. No entanto, uma série, as notícias ou as redes sociais continuam a trazer imagens, sons e informações. Para algumas pessoas, isso pode ser agradável; mas, se o problema for o excesso de estímulos, talvez não proporcione uma verdadeira sensação de distanciamento.
Durante dez a vinte minutos, experimente fazer algo que não exija avaliação nem decisões. Pode dar um passeio tranquilo, tratar de uma tarefa doméstica simples, tomar um duche, sentar-se junto à janela ou passar algum tempo sem ecrãs.
Uma pergunta útil é: Preciso de entretenimento ou de menos estímulos? As duas opções são válidas, mas não são a mesma coisa.
Quando está inquieto, ficar deitado pode não ser a melhor pausa
Há dias em que nos sentimos exaustos e, ao mesmo tempo, não conseguimos ficar quietos. Se passou o dia na mesma posição ou sente inquietação interior, um pouco de movimento pode ser mais agradável do que continuar parado.
Não precisa de fazer exercício. O objetivo não é ter um bom desempenho nem «cumprir uma obrigação». Pode experimentar:
- Uma caminhada curta: sem medir o ritmo nem a distância.
- Movimentos ligeiros: alguns gestos simples, de acordo com aquilo que lhe sabe bem.
- Mudar de ambiente: ir à varanda, ao pátio ou, pelo menos, afastar-se por alguns instantes do local de trabalho.
Se se sentir pior ao fim de alguns minutos, não precisa de prolongar a atividade a todo o custo. Uma pausa não é uma disciplina que tenha de cumprir. É uma tentativa breve de perceber o que pode ajudá-lo a sentir-se um pouco melhor naquele momento.
Se um problema continua na sua cabeça, pode ajudar dar-lhe um nome
Descansar nem sempre significa desviar completamente a atenção. Se uma situação lhe volta à cabeça repetidamente, pode ser útil dedicar-lhe alguns minutos de forma intencional, em vez de tentar afastá-la durante toda a noite.
Experimente escrever três frases curtas:
- O que aconteceu? Sem avaliar nem presumir as intenções de ninguém.
- O que me incomoda mais? Identifique uma coisa concreta.
- Tenho de fazer alguma coisa a este respeito hoje? Se sim, qual é o próximo passo mais pequeno?
Se a resposta à terceira pergunta for não, pode decidir deixar o assunto de lado por agora. Se for sim, anote um pequeno passo e depois tente passar a outra atividade. Esta abordagem pode ser especialmente útil quando a mente continua a tentar resolver a situação porque não sabe se pode considerá-la encerrada por hoje.
Uma conversa pode ser descanso ou mais uma fonte de esforço
Depois de um dia exigente, algumas pessoas precisam de estar um pouco sozinhas; outras sentem-se melhor depois de uma conversa breve. Nenhuma destas necessidades é mais correta do que a outra. O que importa é perceber se o contacto com outras pessoas lhe devolve energia ou a consome.
Se procura apoio, não tem de explicar logo o problema todo. Às vezes, basta dizer: «Tive um dia difícil e precisava de conversar um pouco.» Noutras ocasiões, pode deixar claro que, naquele momento, não quer discutir soluções.
Por outro lado, se passou o dia a comunicar com outras pessoas e já não tem vontade de responder sequer a perguntas simples, talvez seja mais adequado estar tranquilamente sozinho do que participar noutro encontro social.
Verifique as necessidades básicas antes de analisar o seu estado de espírito
Quando se sente irritável ou sem energia, é fácil procurar uma explicação complexa. Pode fazer sentido começar por verificar aspetos mais simples: quando comeu pela última vez, se bebeu água, há quanto tempo está sentado sem fazer uma pausa e se teve algum momento livre de obrigações.
Esta verificação não resolve todos os problemas. Pode, no entanto, evitar que tire imediatamente uma conclusão abrangente, como «não consigo lidar com o dia» ou que há algo profundamente errado com a sua rotina, quando talvez esteja apenas sobrecarregado.
Os cuidados básicos vêm antes de tentar otimizar tudo. Se tem fome ou sede, ou se passou o dia sem fazer uma pausa, comece por aí.
Não escolha uma forma de relaxar só porque parece mais saudável
Algumas rotinas parecem mais «corretas» do que outras. A meditação, escrever num diário, fazer exercício ou planear podem ser úteis, mas não são uma receita obrigatória para o bem-estar. Se, depois de um dia longo, escrever lhe parecer mais trabalho, o diário talvez não seja a melhor opção. Se passou o dia a lidar com pessoas, uma aula de grupo pode não ser aquilo de que precisa.
Também não é necessário convencer-se de que cada momento livre tem de contribuir para o seu crescimento pessoal. Às vezes, passar meia hora simplesmente a descansar, sem um objetivo, é uma escolha perfeitamente adequada.
Uma rotina útil deve ser suficientemente flexível para responder à realidade do dia. Se o obriga a fazer sempre a mesma coisa, independentemente das circunstâncias, aquilo que devia apoiar o seu bem-estar pode tornar-se mais uma fonte de pressão.
Crie um menu de pausas em vez de um único ritual fixo
Em vez de adotar um ritual noturno universal, pode preparar algumas opções breves e escolher consoante aquilo de que precisa no momento.
- Para uma mente sobrecarregada: silêncio, uma caminhada curta ou uma tarefa simples sem ecrãs.
- Para um corpo inquieto: movimento ligeiro, alongamentos ou uma mudança de ambiente.
- Para um problema por resolver: escrever algumas linhas e definir um próximo passo.
- Para a sensação de solidão: contactar alguém próximo.
- Para dar espaço à criatividade: ouvir música, desenhar, escrever ou fazer outra atividade criativa sem pressão.
- Para o esgotamento total: reduzir ao mínimo as exigências e cuidar tranquilamente das necessidades básicas.
Ter estas opções preparadas reduz a necessidade de decidir tudo de novo precisamente quando tem menos energia.
Ao fim de dez minutos, veja se a pausa está a resultar
Não precisa de saber exatamente do que necessita antes de experimentar alguma coisa. Encare a primeira opção como uma pequena experiência. Ao fim de dez ou quinze minutos, faça a si mesmo três perguntas:
- Sinto-me um pouco mais calmo ou com as ideias mais claras?
- Tenho mais energia ou estou ainda mais cansado?
- Quero continuar com esta atividade ou preciso de outra coisa?
Se não notar qualquer mudança, não precisa de prolongar a atividade só porque «devia ajudar». Experimente outra categoria. Por exemplo, depois de um dia mentalmente exigente, continuar a planear pode não resultar, enquanto o movimento pode ajudar. Depois de um dia socialmente exigente, pode acontecer o contrário.
Esteja atento quando uma pausa breve não é suficiente
As rotinas breves podem apoiar o bem-estar no dia a dia, mas não resolvem todas as situações. Se o cansaço intenso, a insónia prolongada, a ansiedade acentuada, a tristeza persistente ou outras dificuldades se repetirem e interferirem com o seu funcionamento habitual, mudar apenas o ritual da noite pode não ser suficiente.
Nesse caso, é sensato prestar atenção às circunstâncias mais amplas e, se necessário, procurar aconselhamento profissional. Uma rotina de bem-estar pode dar apoio, mas não substitui a abordagem de um problema mais sério.
Uma escolha consciente por dia é suficiente
Não precisa de criar um sistema perfeito para o bem-estar físico, mental e emocional. Para começar, durante alguns dias, repare numa situação em que recorre automaticamente sempre à mesma forma de descansar.
Antes de o fazer, coloque a si mesmo uma única pergunta: «Do que preciso mais neste momento?» Depois, escolha uma pausa breve que corresponda melhor a essa necessidade e, passados alguns minutos, veja se fez diferença.
Assim, a rotina não se torna uma lista de obrigações, mas uma ferramenta flexível. O objetivo não é fazer tudo «bem» todos os dias, mas aprender gradualmente a reconhecer o que pode ajudá-lo a recuperar o equilíbrio em cada situação.