Menos tarefas em andamento para uma produtividade sustentável

Menos tarefas em andamento para uma produtividade sustentável

O dia pode estar cheio de trabalho e, ainda assim, terminar com a sensação desagradável de que nada ficou realmente concluído. Um documento aberto, um e-mail por terminar, três tarefas nas notas, outras duas na cabeça e novos pedidos que continuam a chegar. O problema pode não ser falta de disciplina. Muitas vezes, é haver demasiadas coisas em andamento ao mesmo tempo.

Quando está sempre a alternar entre tarefas, aumenta o número de vezes que precisa de retomar o trabalho, recuperar o contexto e tomar pequenas decisões. Pode trabalhar intensamente, mas gastar grande parte da energia a gerir várias tarefas ainda abertas. Uma resposta prática talvez não seja trabalhar mais depressa, mas reduzir deliberadamente o número de tarefas em que está a trabalhar ativamente.

Ter tarefas em andamento não é o mesmo que progredir

Começar uma tarefa nova costuma ser mais fácil do que terminar uma tarefa difícil ou desagradável. Além disso, começar algo dá uma sensação de movimento. Mas, quando tem tarefas a mais em aberto, cada uma consome uma parte da sua atenção e memória. Ao voltar a uma delas, precisa de se lembrar de onde ficou, do que já foi decidido e de qual é o passo seguinte.

Por isso, pode ser útil acompanhar não apenas o número de tarefas na lista, mas também quantas estão a receber a sua atenção neste momento. Ter dez tarefas em espera não tem de ser um problema se estiver realmente a trabalhar em duas. A dificuldade surge quando as dez estão no estado «já comecei e devia continuar».

Diferença essencial: A lista de tarefas pode ser longa, mas o número de tarefas ativas deve ser bem menor. Muitas vezes, a produtividade melhora quando se conclui o trabalho, em vez de se começar continuamente algo novo.

Comece por definir três estados de trabalho

Muitos sistemas de trabalho falham porque todas as tarefas parecem iguais. Uma é apenas uma ideia, outra depende da resposta de um colega, uma terceira é urgente para hoje e uma quarta está a meio. Se mantiver tudo na mesma lista, terá de decidir continuamente o que significa «agora».

Uma abordagem mais prática é dividir o trabalho em pelo menos três estados:

  • Em espera: a tarefa existe, mas não está a ser trabalhada neste momento.
  • Em andamento: a tarefa está ativa e deve receber atenção em breve.
  • Concluída: a tarefa foi terminada ou entregue e já não requer a sua atenção.

Esta divisão reduz a pressão de tentar resolver tudo ao mesmo tempo. O mais importante é manter pequena a coluna «Em andamento». Se tiver sete ou dez itens, o sistema deixa de cumprir a sua função.

Defina um limite para as tarefas em andamento

Não precisa de encontrar um número universalmente certo. Para algumas pessoas, duas tarefas ativas são suficientes; para outras, três ou quatro. Isso depende do tipo de trabalho e de ser necessário alternar entre tarefas enquanto aguarda uma resposta ou o processamento de algo.

O importante é estabelecer um limite máximo concreto. Quando o atingir, não comece automaticamente uma nova tarefa. Primeiro, decida se vai concluir uma das que já estão em andamento, colocar alguma em pausa ou alterar deliberadamente as prioridades.

SituaçãoReação automáticaAbordagem mais sustentável
Surge um novo pedidoComeço a tratá-lo imediatamenteDecido primeiro se vai substituir alguma das tarefas ativas
Uma tarefa torna-se mais complicadaAbro outra tarefaDecido se vou terminá-la, dividi-la ou colocá-la deliberadamente em pausa
Estou à espera de uma respostaDeixo a tarefa como ativaPasso-a para o estado de espera e liberto espaço
Tenho muitas tarefas pequenasAlterno entre elasAgrupo-as num único bloco ou escolho apenas as mais importantes

O limite só funciona se também o respeitar quando surgem pedidos urgentes. Se uma tarefa nova tiver de passar à frente, outra das tarefas atuais tem de ser adiada. Assim, terá uma visão mais realista da sua capacidade de trabalho.

Regra de decisão: Uma nova prioridade também deve alterar a ordem das tarefas. Se acrescentar trabalho sem adiar nada, não está a definir uma prioridade: está apenas a aumentar a lista.

Divida os objetivos grandes em etapas que possa concluir

Algumas tarefas ficam em andamento durante semanas porque são demasiado grandes e vagas. «Preparar uma apresentação», «criar um novo site» ou «melhorar um processo» dificilmente se concluem numa única sessão de trabalho. Por isso, continuam a regressar à lista de tarefas ativas e dão a sensação de que nada avança.

Divida-as em partes menores, cada uma com um resultado claro. Em vez de «preparar uma apresentação», o primeiro passo pode ser «escolher três pontos principais», seguido de «criar um plano» e, depois, «preparar a primeira versão dos diapositivos».

Cada tarefa ativa deve ter um ponto de conclusão visível. Se não conseguir identificá-lo, é provável que tenha um projeto pela frente, e não uma única tarefa.

Proteja a sua capacidade do excesso de informação

Nem tudo o que fica em andamento é uma tarefa de trabalho. Uma quantidade excessiva de artigos, vídeos, mensagens, documentos e notas a que pretende voltar mais tarde pode produzir o mesmo efeito. Cada item pode criar a sensação de que ainda há algo por analisar.

Ao lidar com informação, é útil separar a recolha do processamento. Se encontrar um material que possa ser útil, não precisa de o ler logo até ao fim. Guarde-o num único local e consulte-o numa altura definida. Também é importante apagar regularmente o que já não parece necessário.

Perante cada nova fonte, experimente fazer uma pergunta simples: O que vou fazer concretamente com esta informação? Se não souber responder, talvez não precise dela neste momento.

Não confunda prioridade com sensação de urgência

As mensagens novas e os problemas inesperados atraem naturalmente a atenção. Mas nem tudo o que aparece agora é mais importante do que a tarefa que já escolheu. Se cada novo pedido interromper automaticamente o trabalho em curso, o sistema depressa deixa de funcionar.

Pode ser útil aplicar este filtro simples:

  1. Tem mesmo de ser tratado hoje? Se não, coloque-o na lista de espera.
  2. Tem mesmo de ser tratado por si, agora? Se não, delegar ou pedir uma opinião pode ajudar.
  3. Se começar esta tarefa, o que vai colocar em pausa deliberadamente? Qualquer mudança real de prioridade deve ter uma consequência.

Esta abordagem não será útil em todas as profissões. Algumas funções envolvem interrupções frequentes e exigem respostas imediatas. Ainda assim, pode ser útil distinguir um acontecimento realmente urgente de um pedido que simplesmente chegou por último.

Identifique onde as tarefas ficam bloqueadas

Se tem muitas tarefas em andamento repetidamente, o problema pode não estar apenas na sua organização pessoal. As causas podem incluir instruções pouco claras, mudanças frequentes de prioridades, decisões em falta ou a necessidade de obter aprovação de outra pessoa para cada tarefa.

Por isso, reveja as tarefas em andamento uma vez por semana e pergunte a si próprio: Porque é que esta tarefa ainda não está concluída? A resposta pode mostrar que precisa de decisões mais claras, instruções melhores, mais colaboração ou uma carga de trabalho mais realista.

  • Falta uma decisão: identifique quem a deve tomar e até quando.
  • Falta informação: passe a tarefa para o estado de espera, em vez de a manter ativa.
  • A tarefa é demasiado grande: divida-a num resultado menor.
  • A tarefa deixou de ser relevante: pondere cancelá-la em vez de continuar a adiá-la.

Erro frequente: Se tudo permanece em andamento durante muito tempo, o problema pode não ser a sua disciplina. Pode haver trabalho a mais, prioridades pouco claras ou um sistema que não permite concluir as tarefas.

Como perceber que já não se trata apenas de produtividade

Limitar o número de tarefas em andamento pode reduzir o caos e ajudar algumas pessoas a gerir melhor a energia e a atenção. Contudo, não é uma solução para todas as situações. Se o esgotamento prolongado, as dificuldades de concentração, uma quebra significativa no seu funcionamento ou o stress persistirem mesmo depois de reduzir a carga de trabalho, é importante levá-los a sério.

Nesse caso, não basta melhorar a lista de tarefas. Pode ser necessário abordar as condições de trabalho, o nível de responsabilidade ou a comunicação com a chefia, ou procurar apoio profissional. Este artigo não deve ser entendido como um método para diagnosticar ou tratar o esgotamento, mas como um sistema prático para reduzir a sobrecarga de trabalho desnecessária.

Um plano simples para o próximo dia de trabalho

Não precisa de mudar todo o seu sistema de uma só vez. Para começar, basta fazer uma pequena experiência:

  1. Anote tudo o que tem em aberto.
  2. Escolha no máximo três tarefas ativas.
  3. Passe deliberadamente as restantes para o estado de espera.
  4. Defina o próximo passo concluível para cada tarefa ativa.
  5. Só acrescente uma nova tarefa depois de concluir ou colocar outra em pausa.
  6. No fim do dia, verifique se tem menos tarefas em andamento do que de manhã.

O objetivo não é ter uma lista vazia. Mais importante é saber em que está a trabalhar, o que decidiu deixar em espera e o que está realmente concluído. Esta clareza pode reduzir a sensação de estar sempre a correr atrás do trabalho e ajudar a criar um ritmo mais sustentável do que tentar dar conta de tudo ao mesmo tempo.

Como se manifesta este tema na sua vida? Escolha as respostas que melhor o descrevem:

Como você organiza seu dia de trabalho?

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Como você reage quando enfrenta problemas inesperados no trabalho?

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Como você aborda o trabalho em metas de longo prazo?

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Como você reage quando enfrenta um fracasso?

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