Deita-se e, em vez de descansar, começa a pensar no que quer alcançar. Primeiro imagina um resultado bem-sucedido; depois, analisa todas as possibilidades, tarefas, riscos e prazos. Aos poucos, uma breve imagem do futuro transforma-se numa reunião de trabalho dentro da sua própria cabeça.
A visualização pode ajudar a clarificar uma direção e a imaginar o próximo passo. À noite, porém, convém estabelecer um limite claro. O objetivo não é resolver a vida toda antes de dormir, mas reter uma ideia útil e, depois, encerrar o planeamento.
Distinga a visualização do planeamento
Imaginar um objetivo e planear não são a mesma coisa. Ao visualizar, pode tentar imaginar como seria a situação que deseja, o que estaria a fazer ou que sensação essa direção lhe traria. O planeamento, por sua vez, envolve prazos, etapas, riscos e decisões.
À noite, pode ser útil manter estas duas atividades separadas. Uma breve visualização ajuda a identificar o que é importante para si. É preferível deixar o planeamento detalhado para uma altura em que tenha disponibilidade para tomar decisões e registá-las.
Não visualize apenas o sucesso final
Imaginar o resultado alcançado pode ser agradável, mas, por si só, não esclarece muito sobre o passo seguinte. Se visualizar uma casa nova, uma carreira, um projeto ou um objetivo pessoal apenas como algo já concluído, pode ficar preso a uma fantasia agradável.
É mais prático acrescentar uma pergunta: «O que faço regularmente de forma diferente nesta imagem, em comparação com hoje?»
Por exemplo, se imagina que concluiu um projeto próprio, talvez veja uma rotina de trabalho mais tranquila, uma comunicação regular com clientes ou a conclusão de uma parte concreta todas as semanas. Um detalhe destes pode transformar-se num passo realista.
Escolha apenas uma imagem para a noite
Se quiser incluir a visualização na sua rotina noturna, não precisa de percorrer dez objetivos. Escolha uma imagem relacionada com aquilo que é mais importante para si neste momento.
Pode tratar-se, por exemplo, de:
- uma situação profissional: apresentar com tranquilidade uma proposta preparada;
- um objetivo pessoal: concluir um projeto a que se tem dedicado há algum tempo;
- uma intenção relacionada com uma relação: ter uma conversa de acordo com os seus valores;
- um novo hábito: começar a manhã com uma ação concreta, em vez de a adiar.
Quanto mais temas abordar, mais facilmente esse momento noturno se transforma numa maratona de análise.
Retire da imagem apenas um próximo passo
Depois de uma breve visualização, pergunte a si próprio: «Qual é a coisa mais pequena que posso fazer amanhã?» A resposta deve ser concreta e simples.
| Objetivo amplo | Plano demasiado vago | Pequeno passo seguinte |
|---|---|---|
| Quero mudar de carreira | Tenho de reorganizar completamente a minha vida | Amanhã, vou anotar três áreas que me interessam |
| Quero concluir um projeto | Tenho de recuperar finalmente todo o trabalho em atraso | Vou abrir o documento e terminar uma parte |
| Quero comunicar melhor | Tenho de aprender a ser confiante | Vou preparar uma frase clara para uma conversa |
| Quero fazer mais exercício | Tenho de mudar completamente a minha rotina | À noite, vou preparar a roupa para um breve passeio de manhã |
Assim, a visualização não se transforma numa promessa de que o objetivo se vai «manifestar». Funciona antes como uma ponte entre aquilo que deseja e aquilo que pode realmente fazer.
Registe o passo e encerre o planeamento noturno
Se lhe ocorrer um passo útil durante a visualização, anote-o. Não precisa de acrescentar logo uma lista com mais dez tarefas.
Uma nota breve pode ser: «Amanhã, às 9h, envio a primeira proposta.» Ou: «Depois do pequeno-almoço, reservo 20 minutos para a introdução do projeto.»
Em seguida, pode dizer conscientemente a si próprio que, por hoje, as decisões estão tomadas. Se surgir outra ideia, registe apenas uma palavra-chave e volte a ela no dia seguinte.
Não se pressione para visualizar o objetivo na perfeição
Nem todas as pessoas trabalham com imagens mentais da mesma forma. Algumas visualizam facilmente cenas concretas; outras pensam sobretudo em palavras, sensações ou numa ideia simples da situação.
Não precisa de ver todos os pormenores. Se não consegue imaginar o futuro com clareza, pode completar esta frase em vez de criar uma imagem: «Se este caminho estiver a correr bem, o meu dia a dia terá mais…»
Pode completar a frase com tranquilidade, autonomia, criatividade, contacto com outras pessoas, movimento ou outra qualidade concreta. O importante é que a visualização o ajude a compreender melhor a direção, e não que execute uma técnica de forma perfeita.
Tenha cuidado se a visualização o deixar agitado à noite
Para algumas pessoas, imaginar um objetivo ambicioso é tranquilizador; para outras, é estimulante. Se começar a pensar mais depressa, a verificar o telemóvel, a anotar dezenas de ideias ou a resolver problemas de trabalho, talvez a noite não seja a altura certa para si.
Nesse caso, faz sentido passar a visualização para uma parte mais cedo do dia. O facto de estar perto da hora de dormir não significa que todas as práticas de desenvolvimento pessoal devam ser feitas mesmo antes de adormecer. Se uma atividade dificulta o abrandamento mental, pode mudar o momento em que a faz.
Exemplo prático de um objetivo profissional
Imagine alguém que quer passar a trabalhar com mais autonomia. À noite, imagina repetidamente que tem clientes próprios e mais liberdade. Ao princípio, sente-se motivado, mas, com o tempo, começa na cama a fazer contas aos rendimentos, a pensar nos preços, no site e no que aconteceria se as coisas não corressem bem.
Uma versão mais útil da visualização noturna poderia ser assim:
- Imagem: imagina um dia de trabalho normal em que tem mais autonomia.
- Detalhe: repara que o contacto regular com clientes faz parte desse trabalho.
- Passo: decide contactar uma pessoa no dia seguinte para perceber o que procura num serviço desse tipo.
- Registo: anota a tarefa.
- Fim: deixa o restante planeamento para o dia seguinte.
Esta visualização não promete resultados. Ajuda a transformar um sonho vago num pequeno passo que pode ser posto à prova.
A imagem do seu eu futuro deve ser uma pergunta, não uma autoridade
Uma forma de visualização consiste em imaginar o que o seu eu futuro lhe diria. Esta prática pode trazer uma perspetiva interessante, mas a resposta continua a ser criada por si, a partir das experiências, desejos e receios que tem hoje.
Por isso, é preferível usá-la como ponto de partida. Em vez de pensar «o meu eu futuro disse-me para arriscar», formule a ideia assim: «Quando imagino o futuro, sinto-me atraído por uma opção mais arrojada. O que preciso de verificar sobre ela?»
Desta forma, mantém espaço para considerar os factos, os riscos e as condições reais.
Os símbolos podem ajudar a perceber o que espera do objetivo
Se, espontaneamente, imagina o seu objetivo como uma estrada, uma árvore, o mar, uma luz ou outra cena, não precisa de procurar uma verdade oculta no símbolo. Pode usá-lo de forma mais simples: como uma pergunta sobre as suas preferências.
Por exemplo, se vê o objetivo como uma estrada firme, talvez a segurança e a previsibilidade sejam importantes para si. Se o imagina como uma paisagem aberta, talvez se sinta atraído pela liberdade e pela possibilidade de escolha. São interpretações possíveis, que deve avaliar à luz da sua própria experiência.
A pergunta prática é: «Que característica desta imagem me atrai e como posso tê-la em conta numa decisão real?»
Não parta do princípio de que visualizar basta
A visualização pode ajudar a clarificar um objetivo, a preparar-se para uma situação ou a perceber o que é importante para si. Mas não substitui decisões, competências, preparação, condições ou ação.
Se regressa ao mesmo objetivo todas as noites, mas nada muda durante o dia, experimente deixar de aperfeiçoar a imagem e analisar o obstáculo.
Pode estar a faltar-lhe:
- um primeiro passo claro;
- informação necessária para tomar uma decisão;
- tempo ou capacidade;
- uma competência específica;
- apoio ou colaboração;
- disponibilidade para aceitar a parte menos agradável do processo.
Nesse caso, é mais útil lidar com o obstáculo concreto do que acrescentar outra sessão de visualização.
Crie um limite entre os objetivos e o sono
Se quiser associar a reflexão noturna sobre os seus objetivos à rotina de sono, estabeleça uma forma clara de terminar. Pode fechar o caderno, arrumar os materiais de trabalho ou dizer simplesmente: «O planeamento de hoje terminou.»
Depois, evite iniciar novas decisões. A rotina noturna pode continuar com atividades que o tranquilizem e não exijam mais planeamento.
Se tiver problemas de sono persistentes, sentir muito cansaço durante o dia ou ficar regularmente acordado por causa dos pensamentos à noite, apesar de ter alterado a rotina, uma simples mudança na visualização pode não ser suficiente. Nesse caso, poderá ser adequado abordar o problema de forma mais direcionada e, conforme a situação, procurar apoio profissional.
Experimente uma rotina noturna breve em três passos
Se a visualização de objetivos lhe for útil, pode simplificá-la em três passos:
- Imagine um momento concreto: não uma vida ideal inteira, mas uma situação que represente a direção que pretende seguir.
- Escolha um passo para amanhã: não um plano para o mês, mas uma ação que consiga realmente iniciar.
- Anote-o e encerre o assunto: deixe as restantes decisões para o dia.
Esta abordagem mantém a visualização ligada à realidade. Não se trata de acreditar que a imagem, por si só, vai produzir resultados. A sua utilidade prática pode estar em ajudar a clarificar a direção, escolher o passo seguinte e, depois, permitir que a noite continue a ser noite.