Que problema deve resolver a compra?
Primeiro a tarefa, depois o produto
O Martin está a pensar comprar um robot de cozinha. Num anúncio, vê alguém a cozinhar depressa e com gosto. Mas o problema dele é mais concreto: chega tarde a casa e não tem os ingredientes preparados. O robot pode facilitar o corte, mas não resolve o planeamento das refeições. Antes de comparar modelos, precisa, por isso, de distinguir a ideia de uma vida melhor da tarefa que o produto tem realmente de cumprir.
Nesta formação, entendemos o consumo consciente como uma tomada de decisões que pondera as necessidades, as opções disponíveis, os custos e as consequências da utilização. Uma frase simples pode ajudar: Preciso de alcançar este resultado nestas condições. Por exemplo, preparar o jantar para duas pessoas sem ter de arrumar durante muito tempo. Só depois faz sentido analisar se um aparelho novo, outro método ou algo que já tem poderá ajudar.
Querer um objeto bonito não é, por si só, errado. O prazer também pode ser um motivo legítimo para comprar. O importante é identificá-lo com honestidade e não justificar um acessório de luxo com uma necessidade inventada. Uma pessoa que use o robot todos os dias tomará uma decisão diferente de alguém que não tem espaço na bancada.
Imagine, então, um dia normal depois da compra: onde vai guardar o objeto, quando o vai usar e o que vai substituir. Se não conseguir responder, não tem necessariamente de desistir da compra. Mas tem uma dúvida concreta que deve esclarecer. O objetivo não é comprar o menos possível a qualquer custo, mas escolher uma solução adequada à sua situação.