Um adolescente recebe uma tarefa dos pais bem no meio de um torneio online, um amigo pede ajuda à última hora ou o grupo sugere algo que não lhe parece certo. Em qualquer dessas situações, pode parecer que ser responsável significa simplesmente obedecer, ajudar ou corresponder às expectativas. Na prática, tomar decisões responsáveis é mais complexo: implica reconhecer os próprios compromissos e limites, prever possíveis consequências e identificar os valores em jogo.
O objetivo, portanto, não é criar um jovem que diga sempre que sim. É mais útil que consiga explicar por que razão vai fazer algo, recusar ou propor uma alternativa e, depois, aceitar as consequências proporcionais da sua decisão.
A responsabilidade começa pelo que realmente prometeu
Nem todos os pedidos têm o mesmo peso. Se o adolescente prometeu antecipadamente tratar de algo até determinada hora, existe um compromisso. Se alguém lhe pede ajuda sem que houvesse um acordo prévio, tem mais margem para decidir de acordo com as suas possibilidades.
Antes de decidir, pode ajudar fazer três perguntas:
- Prometi fazê-lo? Se sim, tenho um motivo para alterar o compromisso?
- É uma obrigação minha ou um pedido adicional?
- O que acontece se não o fizer agora?
Assim, a responsabilidade distingue-se da obediência automática. O adolescente aprende que os compromissos são importantes, mas que nem todos os desejos dos outros se transformam automaticamente numa obrigação sua.
Ajudar alguém também exige limites
Um amigo que se esqueceu de um trabalho pode precisar de ajuda. No entanto, o adolescente não tem de pôr de lado as próprias obrigações para resolver completamente o erro de outra pessoa.
Uma ajuda equilibrada poderia ser: «Posso mostrar-te como dividir o trabalho e enviar-te os materiais que já tenho. Mas não posso fazer o projeto todo por ti.»
Esta resposta combina disponibilidade para ajudar com respeito pelos próprios compromissos. A ajuda deixa de ser responsável quando leva alguém a negligenciar tudo aquilo por que é responsável.
Um acordo pode mudar, mas não em silêncio
Imagine que os pais pediram ao adolescente que tratasse de algo, mas ele acabou de começar uma atividade difícil de interromper. Há duas soluções extremas: deixar tudo imediatamente ou ignorar por completo o pedido.
Entre as duas, existe uma terceira opção: negociar o momento. Por exemplo: «Acabo esta ronda em vinte minutos e depois trato disso. Pode ser ou precisas que seja agora?»
A responsabilidade manifesta-se aqui quando o adolescente não desaparece do acordo, mas toma a iniciativa de o esclarecer. Se a tarefa for urgente, pode ser necessário interromper o jogo. Se não for, adiá-la pode ser perfeitamente razoável.
Nem todas as regras têm o mesmo peso moral
É natural testar os limites das regras durante a adolescência. Ainda assim, é importante distinguir entre uma regra que protege a segurança ou a justiça e outra que serve sobretudo para organizar as coisas.
Se alguém copia num trabalho ou aproveita um erro na classificação em benefício próprio, a questão não é apenas «vão descobrir?». É mais útil pensar em quem será afetado pela decisão e que valor a regra protege.
| Situação | Pergunta a fazer |
|---|---|
| A regra protege a justiça | Estou a obter uma vantagem à custa de outra pessoa? |
| A regra protege a segurança | Se a desrespeitar, posso pôr alguém em risco? |
| A regra serve para organizar | É possível combinar outra forma sem causar prejuízo? |
| A regra parece injusta | Posso contestá-la abertamente em vez de a contornar às escondidas? |
A honestidade revela-se sobretudo quando não há risco de castigo
Uma situação em que provavelmente ninguém descobriria a infração é um bom teste aos critérios pessoais. Se o único motivo para agir corretamente for o medo de ser apanhado, a decisão depende sobretudo do controlo externo.
O adolescente pode refletir sobre estas perguntas:
- Aceitaria esta decisão se alguém que respeito soubesse dela?
- O resultado também é justo para as outras pessoas?
- Gostaria que a mesma regra se aplicasse aos outros?
- O que estou a aprender para decisões futuras?
Estas perguntas não dão uma resposta automática a todos os dilemas, mas ajudam a deslocar a atenção do castigo para a responsabilidade pessoal.
A pressão dos amigos não transforma discordância em concordância
Quando o grupo sugere algo que não lhe parece certo, o adolescente pode sentir pressão para não se destacar. Mas agir com responsabilidade não significa manter o seu lugar no grupo a qualquer custo.
Pode ser útil distinguir três passos:
- Expressar a própria posição: «Não me sinto confortável com isto.»
- Tentar influenciar a situação: propor outra opção ou explicar o motivo.
- Decidir se participa: se o grupo não mudar de ideias, recusar envolver-se.
Sair da situação não tem de significar trair os amigos. Às vezes, é uma forma de manter os próprios limites sem tentar controlar os outros.
Ser responsável nem sempre significa escolher a maioria
Se tiver de decidir sobre uma atividade em grupo, o adolescente pode achar que a escolha mais responsável é sempre a preferida pela maioria. A opinião da maioria é um critério importante, mas não é o único.
Ao organizar uma visita escolar, também convém considerar o custo, a acessibilidade, a segurança e a possibilidade de alguma opção excluir parte da turma. Por vezes, faz sentido votar; noutras situações, é melhor procurar um compromisso ou escolher entre várias alternativas realistas.
Uma decisão responsável respeita as pessoas afetadas, mas não tem necessariamente de agradar a toda a gente.
Uma terceira opção não deve ser vista como uma fuga
Se os pais propuserem duas atividades e nenhuma agradar ao adolescente, este pode sentir que ser responsável significa aceitar uma delas sem discutir. Mas, por vezes, é perfeitamente razoável sugerir uma terceira opção.
A diferença está na forma de o fazer. «Não quero nenhuma» encerra a conversa. «Nenhuma das opções me convence muito. Posso experimentar isto em alternativa e alcançar o mesmo objetivo?» já apresenta uma proposta.
Saber negociar uma alternativa é importante, porque ensina que responsabilidade e autonomia não são incompatíveis.
Antes de assumir uma tarefa importante, esclareça o que implica
Ser convidado para liderar uma equipa pode parecer uma oportunidade, mas também pode representar uma carga considerável. Aceitar automaticamente não é necessariamente mais corajoso do que ponderar a decisão.
Antes de aceitar, vale a pena descobrir:
- Por que tarefas serei exatamente responsável?
- Quanto tempo vai exigir?
- O que posso delegar?
- Quem me ajudará se surgir um problema?
- O que terei de reduzir ou deixar de fazer se aceitar?
Fazer estas perguntas não é sinal de fraqueza. Ajuda a evitar aceitar um compromisso sem conhecer o seu alcance.
Um trabalho temporário ajuda a distinguir desconforto de uma má decisão
Nem todas as experiências úteis têm de ser divertidas. Ao mesmo tempo, o adolescente não precisa de aceitar qualquer oferta só para provar que é responsável.
Ao ponderar um trabalho temporário, pode perguntar-se:
- O que vou aprender?
- Quais são as condições e as expectativas?
- O problema é apenas não gostar da tarefa ou ela não se adequa realmente a mim?
- É possível ajustar as funções?
- Se recusar, o que ganho e o que perco?
Assim, aprende que a responsabilidade não é uma competição para ver quem suporta o maior desconforto.
Depois de decidir, é preciso aceitar as consequências
A decisão não termina no momento em que o adolescente escolhe. Se adiar uma tarefa, pode perder tempo para fazer outra coisa. Se recusar acompanhar o grupo, talvez tenha de explicar a sua posição. Se aceitar liderar uma equipa, terá de assumir parte da responsabilidade pelo resultado.
Um adulto pode ajudar perguntando: «Se decidires assim, que consequência estás preparado para aceitar?»
A pergunta desloca a atenção da escolha em si para o seu custo. A responsabilidade revela-se sobretudo na disponibilidade para assumir as consequências previsíveis das próprias decisões.
Como falar de responsabilidade sem fazer sermões
Os adultos podem sentir vontade de encerrar logo a conversa com «o certo é fazer isto». Nesse caso, o adolescente aprende qual é a resposta, mas não como chegar a uma decisão.
É mais útil percorrer algumas perguntas em conjunto:
- O que é realmente da tua responsabilidade nesta situação?
- Quem será afetado pela tua decisão?
- Que regra ou valor está em causa?
- Há alguma alternativa além de dizer sim ou não?
- Que consequências terá cada opção?
- Que consequências estás disposto a aceitar?
Esta conversa deixa espaço para o juízo próprio, sem separar a liberdade das consequências. Aos poucos, o adolescente aprende que ser responsável não é cumprir ordens às cegas, mas decidir conscientemente, explicar as razões e assumir as consequências da escolha.