Está a trabalhar num problema há uma hora, talvez o dia inteiro. Continua a rever as mesmas possibilidades, a acrescentar notas e a verificar detalhes, mas não consegue avançar. Nesses momentos, o problema pode não ser falta de esforço. Talvez esteja apenas a usar uma forma de pensar que, nesta fase, já não produz informação nova.
Perante tarefas complexas, é útil saber alternar entre diferentes abordagens. Por vezes, ajuda dividir o problema em partes; noutras, fazer um teste rápido, pedir a opinião de alguém, procurar uma analogia noutra área ou afastar-se do assunto durante algum tempo. Ter autonomia para resolver problemas não significa resolver tudo sozinho, mas saber escolher o próximo passo de acordo com a situação.
Comece por perceber onde está bloqueado
Antes de mudar de método, tente identificar o que não está a funcionar. Precisa de uma abordagem quando lhe faltam informações e de outra quando tem informação a mais, mas não consegue decidir.
Esta distinção simples pode ajudar:
| Tipo de bloqueio | Sinal habitual | Abordagem a experimentar |
|---|---|---|
| Falta de informação | Está constantemente a tentar adivinhar o que é verdade | Recolher factos ou pedir uma opinião |
| Demasiadas opções | Compara alternativas sem chegar a uma conclusão | Definir critérios e fazer um pequeno teste |
| O mesmo resultado em todas as tentativas | Repete sempre o mesmo procedimento | Mudar um pressuposto ou o método |
| Sobrecarga mental | Já não consegue distinguir o essencial do secundário | Afastar-se e regressar com um olhar renovado |
| Problema demasiado abstrato | Consegue falar sobre ele, mas não sabe o que experimentar | Criar um modelo concreto, um esboço ou um protótipo |
Esta classificação não é um diagnóstico nem uma tipologia rígida. É uma forma prática de perceber se o problema exige mais reflexão ou, pelo contrário, menos reflexão e mais experimentação.
Se o problema for grande, divida-o em decisões menores
A abordagem analítica é útil quando o problema parece um bloco difícil de compreender. Em vez de perguntar «Como vou resolver isto?», pergunte de que partes mais pequenas é composto.
Imagine que quer melhorar o funcionamento de uma equipa pequena. É um objetivo demasiado abrangente. Pode dividi-lo em perguntas mais concretas:
- Onde ocorrem os atrasos?
- Que decisões não têm um responsável claramente definido?
- Que informações se perdem entre as pessoas?
- Que reuniões não resultam numa decisão?
Deixa de ter de «resolver a equipa». Pode escolher uma parte e recolher dados concretos sobre ela. Esta abordagem é especialmente útil quando o problema é complexo por juntar demasiados elementos ao mesmo tempo.
Se já analisou muito, experimente um teste pequeno
A análise pode ser útil, mas há perguntas que não se resolvem apenas a pensar. Se não sabe qual de duas opções funcionará melhor, pode ser mais sensato testar ambas em pequena escala.
O teste não precisa de ser grande. Pode ser um dia experimental, um pequeno protótipo, uma tarefa de trabalho ajustada ou um projeto-piloto breve e de risco limitado.
Antes de começar, defina:
- O que está exatamente a testar?
- O que vai observar?
- Quanto tempo vai durar o teste?
- O que indicará que vale a pena desenvolver a solução?
Assim, experimentar não se transforma em testar tudo ao acaso. É uma forma de obter informação nova a um custo razoável.
Se não consegue ver alternativas, questione os pressupostos
Por vezes, o problema não avança porque todas as propostas assentam no mesmo pressuposto não declarado. Pode estar a partir da ideia de que a solução tem de ser nova, cara, tecnológica ou, pelo contrário, muito simples.
Experimente escrever três afirmações que considera óbvias em relação ao problema. Depois, inverta cada uma:
- Tem de ser rápido. E se não tiver de ser?
- Temos de fazer isto internamente. E se não tivermos?
- O utilizador tem de dar cinco passos. E se bastasse dar um?
- Precisamos de uma nova funcionalidade. E se bastasse remover um obstáculo da atual?
O pressuposto contrário não tem de estar certo. A sua função é interromper o caminho mental que faz as soluções regressarem sempre à mesma forma.
Procure analogias fora da sua área
Se todas as ideias lhe parecem semelhantes, tente olhar para o problema através de outra área. Não precisa de copiar uma solução alheia; interessa-lhe sobretudo o princípio por trás dela.
Por exemplo, se está a tentar facilitar a orientação das pessoas num serviço complexo, pode observar como essa questão é tratada em aeroportos, hospitais, museus ou jogos. Se o problema é a espera, pode encontrar inspiração em sistemas de senhas, reservas ou acompanhamento de encomendas.
Ao procurar uma analogia, faça duas perguntas:
- Que princípio funciona nessa situação?
- O que pode ser adaptado sem copiar a solução inteira?
Esta abordagem é especialmente útil quando está demasiado imerso numa área e todas as possibilidades começam a parecer iguais.
Peça outra perspetiva sem abdicar da decisão
Quando fica bloqueado, pedir ajuda a outra pessoa não significa perder autonomia. A diferença está em pedir-lhe que tome a decisão por si ou que lhe ofereça um novo ponto de vista.
Em vez de perguntar «O que devo fazer?», experimente formular a questão de forma mais específica:
- «Que pressuposto acha que estou a aceitar sem questionar?»
- «O que contestaria primeiro nesta solução?»
- «Que alternativa acha que me está a escapar?»
- «O que precisaria de saber para tomar uma decisão?»
Assim, mantém a responsabilidade pelo resultado e beneficia de uma perspetiva diferente. É uma forma natural de combinar autonomia e colaboração.
Se estiver sobrecarregado, afastar-se também pode ajudar
Nem todos os problemas melhoram por lhes dedicar mais uma hora seguida. Se os mesmos pensamentos se repetem e se torna mais difícil distinguir boas ideias de ideias fracas, uma pausa pode ser uma medida prática.
A pausa tende a ser mais útil quando, antes de parar, transforma o problema numa pergunta concreta. Em vez de escrever «Tenho de resolver isto de alguma maneira», registe, por exemplo: «Como podemos encurtar o primeiro passo sem perder a informação necessária?»
Quando regressar, não comece por reler tudo desde o início. Primeiro, tente olhar para a pergunta de novo e só depois compare essa perspetiva com as notas anteriores.
Visualize o problema quando as palavras o complicam
Alguns problemas são difíceis de resolver num texto longo. Se envolvem um processo, relações, sequências ou várias opções, um esboço simples pode ajudar.
Pode desenhar:
- um fluxo de etapas: o que acontece a seguir a cada passo;
- um mapa de intervenientes: quem influencia quem;
- uma árvore de opções: que decisões conduzem a que consequências;
- uma linha temporal: em que momento surge o problema;
- um modelo simples: quais são os três ou quatro fatores essenciais.
O objetivo não é criar um diagrama bonito. É conseguir ver o problema de uma só vez e notar relações que se perdem nos parágrafos.
Use a intuição para criar hipóteses, não como prova final
Às vezes, surge rapidamente uma solução que «parece fazer sentido», embora ainda não consiga explicar porquê. Não precisa de descartar essa ideia. Pode transformá-la numa hipótese e verificá-la a seguir.
Por exemplo: «Tenho a impressão de que o problema não está no produto em si, mas no primeiro contacto do utilizador com ele.» O passo seguinte não é necessariamente reformular toda a introdução. Primeiro, procure perceber o que confirmaria ou refutaria esse pressuposto.
A intuição pode indicar uma direção; é a verificação que mostra se vale a pena segui-la. Assim, o pensamento lógico e o intuitivo não têm de se excluir mutuamente.
A necessidade de controlo pode travar soluções mais criativas
Perante a incerteza, é natural querer manter tudo sob controlo. No entanto, quando se procura inovar, nem sempre é possível garantir antecipadamente qual será a melhor opção. Se esperar por uma certeza absoluta, pode acabar por adiar até experiências pequenas e seguras.
Uma forma de lidar com isso é distinguir as decisões pela facilidade com que podem ser revertidas. Não precisa de exigir o mesmo grau de certeza para um passo facilmente reversível e para uma decisão cara ou difícil de desfazer.
Antes de avançar, pergunte a si próprio:
- Quanto me custará se me enganar?
- É possível reverter ou ajustar a decisão?
- O que posso aprender mesmo que o teste não resulte?
Quanto menor e mais reversível for o risco, mais espaço pode dar à experimentação.
Crie a sua própria sequência de abordagens
Nem toda a gente precisa de seguir a mesma ordem. Algumas pessoas começam pela análise, outras por um protótipo ou por uma conversa. Ainda assim, é útil ter algumas opções preparadas para não ter de improvisar de raiz quando fica bloqueado.
Pode criar um procedimento pessoal simples:
- Clarifico o problema: o que está exatamente bloqueado?
- Divido-o em partes: que parte consigo tratar separadamente?
- Revejo os pressupostos: o que estou a tomar como garantido?
- Proponho um pequeno teste: o que me dará informação nova?
- Peço outra perspetiva: a quem vale a pena perguntar?
- Faço uma pausa: se estiver apenas a repetir os mesmos pensamentos.
Não tem de percorrer todos os passos de cada vez. O importante é saber que, quando uma abordagem deixa de trazer informação nova, pode mudar para outra.
A autonomia também se revela na escolha do método
Por vezes, confunde-se autonomia na resolução de problemas com a ideia de que uma pessoa competente consegue resolver tudo sem fazer perguntas, sem parar e sem ajuda. Na prática, pode ser mais autónomo quem reconhece os limites da abordagem que está a usar e escolhe conscientemente outra.
Da próxima vez que sentir que está a andar em círculos, em vez de perguntar «Porque é que não consigo?», experimente perguntar: «Que forma de pensar estou a usar agora e qual me traria informação diferente?»
Assim, a criatividade deixa de ser uma espera por uma ideia original. Passa a ser a capacidade prática de alternar entre análise, experimentação, colaboração, pausa e novas perspetivas, conforme aquilo de que o problema precisa.