Necessidades e limites sem indiretas
É preciso definir claramente em que consiste a ajuda
Um colega pede-lhe que dê uma vista de olhos à apresentação. Responde: «Claro, havemos de arranjar maneira.» Ele espera que refaça a apresentação toda; na realidade, estava a pensar numa breve conversa. A vontade de ajudar não ficou bem definida e pode criar um compromisso que não queria assumir. Comece por esclarecer de que ajuda precisa e o que pode realmente oferecer.
Pode responder com precisão: «Hoje posso ver a ideia principal e a ordem dos diapositivos. Não consigo refazer a apresentação toda.» Não tem de justificar em pormenor todos os compromissos que tem. Se não puder atender ao pedido, pode recusá-lo com educação. Só sugira uma alternativa se souber e quiser realmente assegurá-la.
Exprima também as suas próprias necessidades. Em casa, em vez de suspirar «Nunca tenho um momento para mim», experimente propor um acordo concreto: «Quando chegar, preciso de algum tempo para acabar uma chamada de trabalho. Depois podemos falar dos planos para o fim de semana.» A outra pessoa poderá dizer se há algo urgente e se a hora proposta lhe convém.
Ser claro não significa que a outra pessoa tenha de concordar. Quando há responsabilidades partilhadas, é necessário encontrar uma divisão razoável, não tratar tudo como responsabilidade alheia. Distinga entre uma ajuda voluntária e um compromisso que já assumiu. Se não o puder cumprir, avise com antecedência e trate das consequências da mudança. Um limite deve refletir com verdade aquilo que pode fazer; não deve servir para disfarçar o incumprimento de um acordo.